quinta-feira, 13 de março de 2014

A verdade sobre Tiradentes


Segundo o escritor francês Balzac, há duas histórias: a Oficial, que é

mentirosa e a Verdadeira, que é secreta. Com a abertura democrática de

nosso país, cada vez mais vamos sabendo de coisas que são diferentes

daquelas aprendidas na escola. Uma delas é a respeito de Tiradentes.

Tiradentes não usava nem barba e nem bigode. Esta imitação de Cristo, foi

feita há tempos e sacramentada através da Lei Federal 4897 de 1966 pelo

presidente Castelo Branco, quando foi definido a imagem com barba e

cabelos longos de Tiradentes.

Poucos sabem que Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como



Tiradentes, era maçom, bem como quase a totalidade dos líderes do

movimento de independência. O movimento de independência tinha como

caráter principal três províncias do Brasil, Minas Gerais, Rio de Janeiro e

São Paulo, sendo que o resto do país deveria acompanhar as três províncias

citadas.

A Inconfidência Mineira começou em Vila Rica, que era a cidade

mais rica de Minas Gerais, tendo uma vida praticamente européia com

orquestras, teatros e grupos literários.

Em 1756 houve um grande terremoto em Portugal que destruiu quase

que toda a cidade de Lisboa. E quem arcou com os custos foi o Brasil, pois

o Marques de Pombal impôs uma cobrança sobre o ouro de 1/5 sobre o



peso do mesmo que deveria ser mandado a Portugal por um prazo de 10

anos consecutivos. Como sempre no Brasil, tudo que é definitivo é

provisório e o que é provisório é definitivo. Assim a cobrança do ouro

durou 60 anos.

O que houve foi que as minas de ouro em Vila Rica esgotaram-se e

os mineiros não tinham mais como pagar o quinto de imposto. Para piorar,

como o ouro estava diminuindo, Portugal estabeleceu uma cota fixa para

Vila Rica, devendo ser arrecadado de qualquer maneira 1.500 kg de ouro

por ano, não importando a quantidade de produção.

Na verdade ninguém sabe quem foi o verdadeiro líder da revolução,

mas não há dúvida que foi um movimento maçônico que lutava pela

independência do Brasil, contando com homens como o Coronel Francisco

de Paula Freire de Andrade, o engenheiro químico Dr. José Alvares

Maciel, o poeta e coronel Inácio José de Alvarenga Peixoto, o poeta e

magistrado Tomaz Antônio Gonzaga (autor das Cartas Chilenas e do poema



Marília de Dirceu) e outros.

O delator Joaquim Silvério dos Reis sofreu um atentado no Rio de



Janeiro e foi perseguido em Minas Gerais. Foi para Portugal onde foi

homenageado e recebeu alta condecoração do governo português,

ganhando também uma pensão mensal de 200 mil reis e teve uma vida

muito boa. Acompanhou D. João VI quando a família real veio para o

Brasil e quando retornou para Portugal.

Tiradentes foi preso em 1789, justamente o ano em que se deu a

revolução francesa e quando praticamente nascia a maçonaria no Brasil.

Tiradentes usava como desculpa para ir ao Rio de Janeiro, fazer um

plano de “puxar água potável” para a cidade.

É quase certo que Tiradentes esteve na França, onde se encontrou

com Thomas Jefferson, pedindo ajuda americana para a independência do



Brasil. A bandeira dos Inconfidentes, tinha como base um triângulo, que é

o símbolo base da maçonaria. A cor vermelha deste triângulo, se deve aos

brasileiros que se filiaram a maçonaria na França que era de tendência

republicana, enquanto que a maçonaria Portuguesa e Inglesa tinham

tendências monarquistas e tinham como símbolo a cor azul.

O enforcamento de Tiradentes se deu em 1792 no Rio de Janeiro, só

que foi tramado que os inconfidentes seriam exilados e que toda a culpa

seria somente de Tiradentes, que seria o bode expiatório.

A armação foi bem feita e Tiradentes foi substituído por um ator de

circo, o Sr. Renzo Orsini, que resolveu fazer o seu último papel, isto é, ser



enforcado no lugar de Tiradentes.

Tiradentes depois foi para Portugal, voltando depois ao Brasil e

viveu até 1818 quando reinava no Brasil D. João VI, o qual lhe dava uma

pensão. O historiador Assis Brasil cita que Machado de Assis, escreveu que



Tiradentes morreu de um antraz (bacilo infeccioso que produz pústula

maligna) e morava no Rio de Janeiro, na antiga Rua dos Latoeiros, que

ficava entre a Rua do Ouvidor e Rosário, em uma loja de barbeiro, sendo

que Tiradentes era dentista e sangrador (uso antigo de sanguessugas e

sangramento), cuja abertura de negócio se deu em 1810 a conselho do

próprio D. João VI.



Com o malogro da conspiração dos mineiros a maçonaria brasileira,

muito sabiamente ficou quieta até melhor oportunidade, reaparecendo na

Revolução Pernambucana de 1817 e que também fracassou. Novamente em

1822, a mesma proporcionou a Independência do Brasil.

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