quarta-feira, 12 de março de 2014

Santos Dumont não é o pai da aviação!


 
A história de qualquer país nasceu no berço do patriotismo. Na tentativa de construir um passado comum entre os habitantes e deixá-los orgulhosos do lugar onde viviam, surgiram relatos de grandes artistas e heróis, tradições milenares, mitos da fundação do país e datas nacionais. No Brasil, esse tipo de leitura da história surgiu principalmente com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), de 1838. O órgão teve uma importância gigantesca para o país. O próprio imperador dom Pedro II participava de suas reuniões, de onde saíram os primeiros grandes relatos da história brasileira, caso de Como se deve escrever a História do Brasil, do naturalista Carl Von Martius, de 1840 e História Geral do Brasil, escrito por Francisco Varnhagen em 1854. Por trás dessas obras havia sempre uma moral edificante e uma tentativa de valorizar a pátria.

Esse modo de ver a história cria m vício: tudo passa a ser visto de forma parcial. Se alguém  do seu país consegue realmente um grande feito, tende a ganhar uma aura de herói. E ai de quem questionar seus feitos. A aura de Santos Dumont no Brasil é um dos maiores exemplos disso. Aqui ele é o pai da aviação. E ponto final. No resto do mundo, historiadores e engenheiros consideram os irmãos americanos Orville e Wilbur Wright mais importantes para o pioneirismo das máquinas voadoras. E é fato. Não se trata apenas de esforço dos EUA em vender seus heróis. Ao contrário do que muita gente acredita no Brasil, os irmão americanos voaram na presença de testemunhas antes de Santos Dumont apresentar o 14 Bis ao mundo. No dia 5 de outubro, fizeram um único voo de 39 minutos, percorrendo 38,9 quilômetros. Já o 14 Bis, em novembro de 1906,voou 220 metros de distância a altura de máxima de 6 metros. E foi abandonado 5 meses depois quando sofreu uma queda lateral e teve uma das asas despedaçadas. Alguns mitos são criados e infelizmente não aprendemos as coisa do jeito realmente certo.

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